Blog duma gaja... bem... esquisita, estranha, tarada:) Enfim... queer!

4.17.2006

When the one you love doesn't love you (anymore)

Há alturas nas relações em que o Outro se revela muito diferente, ou até mesmo o oposto, daquilo que julgávamos que era ou pensávamos que desejávamos que fosse.
O grau de tolerância de cada um a relacionar-se com as diferenças do Outro varia; e varia com o grau de diferença encontrado e também com o tipo de relação que está disposto a alimentar.
Dizem que demasiada diferença nos surge como ameçadora, que nos destrói a Nós. Mas dizem também que é quando a diferença roça o aparentemente insuportável que descobrimos se efectivamente estamos dispostos a amar ou se simplesmente preferimos relacionarmo-nos connosco, ou seja, com alguém (que imaginamos) mais como Nós.
Eu penso que só amamos quando não há razões. Amo, porque sim! Porque quero, porque aceito, porque me fascina. Porque amo.
Os amores de razões morrem quando as razões ou os interesses mudam, quando as pessoas mudam. E eu acredito que há amores que não mudam, e não morrem - precisamente aqueles que mais aceitam que tudo pode mudar, mas ainda assim sentem que é bem mais simples do que todas as razões, orgulhos, vaidades e cidades dizem, continuar a amar.

10 Comments:

Anonymous S.N. said...

"...Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.... Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa...O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios...O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
... Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental"... Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender,não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor... O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar acorrer atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.A vida é uma coisa, o amor é outra.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira e valê-la também".por Miguel Esteves Cardoso

20:47

 
Blogger serrano said...

Eu já me resignei! Shame on me!

15:41

 
Blogger Anabela Rocha said...

Ganda posta S. N.! Obrigada!
Serrano: Não é uma questão de pura persisitência voluntarista, como fiz parecer. Há imensas circunstâncias práticas que facilitam ou dificultam, como é bom de ver - e talvez as suas sejam mais demolidoras do que as minhas.

09:06

 
Anonymous Anónimo said...

tão bom
amor

eu n`outro
outr`em mim

que
silêncio
indízivel
apetecível

que
vontade
de ti
de mim

01:10

 
Anonymous Angélica said...

«O amor não se percebe. Não dá para perceber(...) O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar acorrer atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.»

é xim xenhôri
e
o amor do outro
por mim axim

01:56

 
Blogger Anabela Rocha said...

:))))
Nada como o amor para causar uma sangria de comments:)

08:49

 
Anonymous enigma said...

minha cara se me permite
o amor não se diz faz-se

porque «o amor é fodido»

um dia
exlico-lhe melhor

14:57

 
Blogger Anabela Rocha said...

Ó enigma, os muito jovens, ou muito pobres de espírito, é que costumam acreditar nessas dicotomias dizer/fazer:) As coisas são bem mais promíscuas do que isso - em tudo, em tudo. É aliás o que as torna interessantes e fodidas:)

09:52

 
Anonymous enigma said...

não me fiz entender
como te entendo nessa dor
já quase enlouqueci pelo mesmo
já estou curada
acredito na magia
na minha estranheza
na estranheza dos outros
a minha condição é a estranheza
acredito em mais prazer e menos dor
fazer mais e falar menos
temos pouco tempo
e não sabemos para onde vamos
não existe a minha alma gémea
só existe a minha estranheza projectada no outro
e é tão bom
ando a aprender a ser estranha
que estranho
e atrai-me a estranheza
seduz-me
a minha estranheza
na estranheza do outro
eis a minha condição
salvação ou perdição

21:45

 
Anonymous Anónimo said...

hipocrisias

22:22

 

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