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7.04.2006

Contra-cisgeneronormatividade

Inquirida sobre uma aparente cisgeneronormatividade presente no seu texto anterior, Aline esclareceu:
Ser uma "mulher trans" significa que podemos ser qualquer tipo de mulher. Eu acho que estou longe de representar um estereótipo de mulher, ou de representar estereótipos comuns de feminilidade. Me acho única, e neste caso, minha constituição tem muito a ver com minha formação, com meu histórico, talvez até com o meio em que eu vivo. Me acho única. Me acho trans dyke. Acho um "luxo" de minha parte poder ter um descaso em relação a regras sociais. Porque hoje eu posso até me vestir com roupas masculinas que as pessoas continuarão a enxergar uma mulher. Para mim é como: eu, sendo uma mulher, posso me expressar e ser fora dos parâmetros socialmente rígidos e delimitados. Se muitas mulheres trans se expressam a partir de uma forma "mais geral e predominante", esta forma "mais geral e predominante" obviamente é a forma predominante de expressão das mulheres cis (não trans). Então, penso que qualquer crítica neste sentido deve levar em conta não apenas as mulheres trans mas TODAS as mulheres, sejam elas trans ou cis. É preciso levar em conta também o significado da experiência trans. Homens e mulheres trans sofrem muito mais pressão social para seguir os papéis sociais padrões do que as pessoas cis. Como afirmar-se como um homem? Como afirmar-se como uma mulher em uma sociedade que delimita os gêneros a tão mínimos limites?

2 Comments:

Blogger L said...

Concordo tanto com a Aline que até me doeu ler este post. Existe uma pressão normativa imensa sobre as pessoas Transexuais (e sublinho o "imensa"). Qualquer característica minimamente "suspeita" é ou repudiada pela pessoa Transexual ou então escondida. Não nos podemos dar ao luxo da mesma flexibilidade de género (já não muito grande) que as pessoas Cisgénero têm. Talvez um dia destes, quando me sentir mais inspirada e menos propensa a tropeçar nas minhas próprias palavras, faça um post sobre o assunto.

Já agora, a preguiça será uma característica predominantemente masculina ou feminina? Hum?

01:17

 
Anonymous Ricardo M., Lisboa said...

A preguiça? E se pensarmos nela como inerente à espécie humana? Nuns indivíduos mais marcada, noutros menos. Será que assim não se evitariam os sistemáticos mal-entendidos que perguntas deste tipo causam?...

02:00

 

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