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3.05.2006

Uma imagem, mil homofobias II

Não sei se estão lembrados que aqui há tempos defendi que a foto de capa do Público da Teresa e da Lena era profundamente homofóbica. Houve quem dissesse que isso era rebuscado ( o que até concedo) e que ninguém pensaria a questão como simetria de iguais, como não alteridade, etc. Ora vejam as declarações de hoje, em entrevista ao «Correio do Vouga», de D. Manuel Clemente, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais :
"Hoje, por aquilo que há pouco referi acerca das escolhas de cada indivíduo e das possibilidades técnicas para o conseguir em termos de transformação do seu próprio corpo, a complementaridade masculino/feminino parece estar em causa, mas realmente não está. Qualquer transformação ou possibilidade tecnológica – mudar o sexo ao longo da existência, por exemplo – não contraria aquilo que continua a ser uma evidência até para a própria sobrevivência da humanidade: a alteridade masculino/feminino.
Além disso, uma cultura “homo” (e não “hetero”), negando essa alteridade, fecha cada indivíduo em si mesmo e, portanto, dificulta a aceitação da diferença do outro que a própria diferença do sexo induz. Tudo quanto seja fechar-se no “homo”, nesse sentido unissexual, ou atenuar a alteridade como própria da humanidade parece-nos ser, mas em termos pura e simplesmente humanos, para já, um atentado ao crescimento da humanidade. Isto não significa que não se atenda ao percurso individual, ao crescimento de cada um, ao respeito pelas suas etapas. Mas sem desistir deste horizonte de heterossexualidade. "
Como vêem, em termos de mensagem, não há diferenças entre as palavras de um Bispo e a capa do Público - e isso talvez diga alguma coisa também quanto a alinhamentos do jornalismo português "independente"...

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

hum, assunto que me interessa deveras. (a foto parece-me também irritantemente ineficaz, mas gosto de acreditar que é um desvio-tentativa de uma outra linguagem visual ela também estereotipada). Falo de dentro, de mim: a alteridade é real, bolas, raios, prefiro agarrá-la o mais de frente possível, transexualizo sempre que a sociedade-de-um-tolo me quer mal-obrigar a um papel que seja inútil e ritualizado-porque-sim. mas sinto por paixão ou amor a gente de ambos os dois sexos que os dois tipos de corpos são diferentes em-acto. seja pela relação com o mito gestação, corpo-alheio, a projecção d@ própri@ na istória com letra de humanidade, seja na fala do corpo em amoroso (e isto é uma aprendizagem colectiva, não um confronto de dois). mas sim, sim sim, abaixo com essas histórias de tol@s que aí andam a querer governar-nos pela barriga.

02:33

 
Anonymous Anónimo said...

se apanhasse esse padre a jeito dizia-lhe: sobreviver, vai tu, a malta quer é VIVER, vai mas é complementar-te. :)

02:55

 
Blogger Anabela Rocha said...

Pois, eu acho que da parte da fotógrafa será um uso de determinado género fotográfico misturado com um inconsciente homofóbico (e tou a ser boazinha:) .
Mas da parte de quem a escolhe e a coloca na capa é homofobia da mais subtil.

07:30

 
Anonymous Anónimo said...

(isto interessa-me apenas porque produzo imagens e intriga-me os casos mass media~, dialogar, mudar, combater a linguagem, outros assuntos São mesmo mais pesados e urgentes) Não achas que o problema reside mais na utilização em capa de um registo que remete para o privado (podia sair na revista x num artigo sobre relações), mais do que na eventual simetria? ambas têm cabelo comprido porque têm mesmo, etc, parece-me tão fortuito como utilizar dois pictogramas de mulher-de-saia, em vez de tentar comunicar com uma linguagem completamente nova, a difícil coerencia da descodificação possível pelo maior numero de pessoas...

00:18

 

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