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8.03.2006

As feridas no corpo

Há tempos a L. comentava aqui sobre a ferida que constituía para uma pessoa trans o seu corpo anterior à transição, e como era díficil reconciliarem-se com a sua história individual quando ela incluía essa ferida. Esse comentário sensibilizou-me muito porque sou muito mais crente de que as feridas, as mais profundas, realmente se inscrevem no corpo e não na alma - com a vantagem de que, mesmo à revelia de almas teimosamente feridas, são mais facilmente curáveis, também no e pelo corpo:)
Daí que compreenda quando a Butler refere como tarefa política fundamental tornar a vida suportável aos corpos, a todos os corpos. Parece simples e básico, mas é também muito díficil.

2 Comments:

Blogger Grace said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

12:28

 
Blogger L said...

A mim trazer-me-ia algum consolo acreditar na imortalidade da alma. Mas o meu ateismo não o permite. Por onde anda a Gisberta agora - os seus amores, opiniões, memórias e sentimentos, tudo o que ela foi e sabia - isso eu não sei. Talvez só a memória nos permita sobreviver à morte, e enquanto alguém se lembrar de quem formos, não morramos completamente. Se ela ainda existe agora, num outro sentido que não esse, espero que esteja em paz.

E também gostava que a ferida dela fosse só na alma, e que o seu corpo ainda estivesse entre nós. O tempo cura (quase) todas as feridas da alma, mas nem um bilião de anos curaria a Gis dessa ferida derradeira que é a morte.

02:19

 

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