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5.24.2007

Ainda M. Tavares

Na dúvida sobre se seria ou não o mesmo Walser fui ler também "O senhor Walser". Parece-me que não.
"O senhor Walser" é uma excelente crítica ao solipsismo idealista, à sua vontade de principiar, ao seu instinto de bela alma, ao seu afastamento do "dirty world".
Não é por acaso que o senhor Walser é o único do Bairro que mora numa casa à parte. E todo o livro se desenrola à volta da impossibilidade de um começo virgem, mesmo quando se tem uma casa aparentemente nova e à margem da desordem exterior.
A linguagem do livro é muito acessível e é um daqueles romances filosóficos recomendáveis a adolescentes.
Notável continua a ser a facilidade com que M. Tavares não só muda de género literário como muda a própria respiração da sua escrita: "agua, cão,..." é quase telegráfico; "A máquina de..." é mais distendido mas ainda assim contido para a frase/parágrafo/conto tradicional. Este "O senhor Walser" é tradicional na métrica da frase, apesar dos capítulos serem razoavelmente reduzidos. De comum sempre o rigor.

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